domingo, 30 de dezembro de 2012

Sublime Abandono


Repúdio visível
Tão perceptível
Que rasga o véu
Da sinceridade
Palavras desnecessárias
Mas o olho tudo vê
O coração tudo fala
Mesmo em silêncio

sábado, 29 de dezembro de 2012

Do que se deve partir


Cala-te
Repulsiva alusão
Do sentimento que nem foi

Recolhe-te
Ao porão da sua insignificância
E murcha até morrer

Dorme
O sono profundo
Do que não merece viver

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Chuva de Verão


Ahh a chuva
Esse cheiro suave de vida!
Esse frescor de doce primavera
Em pleno verão
Esse prelúdio agradável
De uma noite tranquila
Ainda que breve
Ainda que farta
Ainda que pouca
mas sempre Vida

Sorriso


O sorriso é nada mais 
Que as pinceladas da alma
Retratadas como raio x na face
Emolduram o rosto
Sustentam o corpo
Prendem todo o raciocínio
No breve intervalo dos lábios

sábado, 22 de dezembro de 2012

Desconexão



Tentar compreender
O incompreensível
Repreensiva ilusão
Que para baixo
Quer empurrar
O ser incompleto
Imperfeito
De sentimentos rarefeitos
O ser que pensa ser incapaz
Notória abstração
De tanta complicação
Impotente ação
Intelecto
Razão
Emoção
Nada apraz
O desconhecimento do fulgaz
Do desconexo torpor
Que pela conexão se firma
E busca ainda
Uma linha de equilíbrio
Que tênue
Se vê ao longe
Por um fio...

Do que não se pode levar



Nada pode roubar
O amor que se tem para dar
O bem que se quer fazer
A dignidade ensinada a ter
A paz que está dentro
Como folha ao vento
Balança para lá e para cá
Mas firmada junto á ribeiros
Não será abalada
A vida não será abalada
A força não será abalada
A vitalidade não será abalada
Perdem-se alguns galhos
Folhas caem ao chão
Mas a raiz
Não será abalada

Palavras

Para que dizer
O que se pode sentir?
Falar daquilo
Que estampado está?
Palavras estragam
A obviedade da vida
Melhor é ser vivida
Nutrida
Com doses homeopáticas
Do bem que se pode dar
Todo o bem que se pode dar
Nenhum bem para poder guardar
Deixo as palavras
Para tapar os vazios
Os momentos de silêncio
Os momentos de solidão
Escondidas
Entre uma frase e outra
Viram alma
Entrelinhas
Do que realmente se quer dizer
Figuradas
Deixam de ser palavras
E assumem o sentido
Do figurado ser

sábado, 20 de outubro de 2012

Superação


Todos os dias
Me reivento
Me descubro
Me supero
Desço do meu pedestal
Reconheço minha fraqueza
Minha dependência
Minha fragilidade
A cada dia
Acordo um pouco menor
Pois quanto mais me conheço
Mais percebo
O quanto falta em mim
E assim imperfeita
Mais dependente
Me torno enfim

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Dor


Não dá...
Dói demais
Tudo dói
Dói tanto que pesa
Emudece
Estremece
Rasga-se um véu
Desnuda-se
Uma raiva
Que entorpece
Entristece
A alma se arrasta
Um desespero sem razão
Essa dor no coração
Palpável...sim
Corta a carne
Maestria de um punhal afiado
Justo Deus?
Certamente que não
La de cima me olhas
Contempla triste também
Olhos molhados também
Sei que choras minhas lágrimas
E diz: _filha, te fiz tão maior que isso
Te escolhi
Teu futuro preparei
Não duvide
É uma pena que não podes ver
Numa cena única como vejo
Agora vês em parte
Mas um dia, verás face a face
E uma luz clareia
E enche minha candeia
Não há dor que resista
Colocada aos pés de Jesus
Carrego hoje minha cruz
Mas sei que de manhã
O mestre virá me ajudar

De repente


De repente
Uma nova sensação desponta
Incalculadamente
Fora das minhas fórmulas e premonições
Ausente do meu conhecimento
Surge essa coisa quente
Assim sem explicação
Queimando tudo por dentro

De repente
Me vi relembrando sorrisos
Decorando expressões
O Olhar distante buscando no tempo
Detalhes expressivos
Cada fragmento
Para memorizar em minhas visões
Cada gesto, cada palavra, cada segundo

De repente
Me surpreendi com a constatação
De estar ali parada
Viajando nesse sentimento
Novo pulsante
Vivendo sentindo experimentando
Irradiante a desenhar você
Na matriz dos meus pensamentos

sábado, 13 de outubro de 2012

Ausências


Tão fácil falar
Do que rasga o peito
Vem naturalmente para fora
Estancando a carne por dentro
Fácil falar
Do que está explodindo
Já que o papel
Torna - se o único refúgio
A única salvação
Do que transbordou
Experimente falar da ausência
Da dormência
Residente no corpo
Do torpor do sentimento
Esse é só um frio lamento
Discrepância do tormento
De vida sentir
De vida ser
De vida viver
Ausências
Inércias
Do querer
Juntas também fazem parte
Do meu complexo viver

Alegria


Se não for hoje
Amanhã quem sabe?
Para ser feliz
Não tem idade
A risada mais gostosa
Vem sem ter hora
Surge assim misteriosa
Brilhando Espontaneidade
Reflete o interior
Perfume bom
Que exala
Abranda
O mais duro coração
Acalma
Até a fria solidão
Reflete
A alma transparente
Anseia
Por mais vida
Na vida da gente...

Sorriso


E vem o sorriso
Abundante
Farto
Sincero
Quebrando dor
Tristeza
Melancolia
Invadindo
Em completa euforia
Doce riso
De querer bem
De amar o que se tem
De não importar com ninguém
De ser feliz
Sendo alguém
Tão imperfeito
Quanto humano
Quanto mais ciente
Menos engano
Riso de vida
Fluindo entre os dedos
De ser único
Entre tantos
Especial
Em seus encantos
Por único ser

domingo, 7 de outubro de 2012


Fixação


Ah, e como viver
Esse turbilhão de pensamentos
Por satisfazer?
Acordada
Dormindo
Trabalhando
Sempre o pensamento
Tramitando
Incessante
Uma mesma idéia fixa 
Tão intrínseca
Que já faz parte de mim
Essa vontade 
De viver tudo isso
Guardado aqui
De doar além do limite
De mim
Essa vontade 
De estar em seu mundo
Construindo castelos
Junto a ti

sábado, 6 de outubro de 2012

Desnuda


Me revelo
E como dói
Uma entrega
Que nada cobra
Nenhum tipo de retorno
Entrega necessária
Obrigatória
O peito explodindo dentro
Precisa se acalmar
Posso sentir pulsando forte
A respiração descompassada
Por um simples
Toque no ar
Sem nem tocar
Muitas teorias
Não podem explicar
Nem maturidade
Pode segurar
Tamanho descontrole do ser
Do querer
Do acreditar
Do se revelar
Como entrega
Nada cobra
Além do simples “aceitar”

Inspiração



Amo a inspiração
Pode vir de uma palavra
Uma conversa
Uma condição do tempo
De alguém
Amo a inspiração
Não a coisa,
A situação
Amo a inspiração que ela traz
A consequencia que fica dela depois
O poema
Fica tudo aqui
Amarrado no papel
As vezes até morre depois que vem
Mas não importa
O que importa
É que ela vaza
Escapa dos dedos
Como sangue a jorrar
Como doação para salvar
A vida de alguém
Quem?
Salva-se a vida
Do sentimento que surgiu no peito
Tirando do calabouço
Frio e sem vida do pensamento
E ganhando novo espaço
Nova casa:
O papel

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Não, ele não sabe



Ele não sabe
Que os dia tristes
São esses assim
Em que ele nem olha para mim

Ele não sabe
Que meu peito sofre
Antecipa e divaga
Em indagações sem fim

Ele não sabe
Que longe ou perto
Desses sonhos complexos
Tenho vivido enfim

Ele não sabe
Não saberá
Romances são só isso
Viver para sonhar

Se ele soubesse
Talvez até viesse
Sonhar para viver
Ou simplesmente deixar assim

Um poema
Com ponto e fim.

Do Lado de Lá


Do lado de lá
tem uma multidão de sonhos
à realizar
Um universo de expectativas
à se concretizar
Imensidões de desejos
Buscas e afins
Do lado de lá
Há um mundo girando
Numa velocidade sem fim
Há sonhos altos
Demais para mim
Há expectativas
Que não posso alcançar
Um mundo de cores
Que talvez
Eu não saiba pintar
Rodando nessa velocidade
Que talvez
Eu não possa acompanhar
Do lado de lá tem esse mundo
Que eu até sonho
Mas que não me cabe
Que eu não posso participar

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Sintonia




Essa palavra simples revela uma complexidade incrível de junções que a ciência não pode explicar. Estava cá eu com minhas indagações imaginando a razão dessa mistura de tantas coisas boas acontecerem, geralmente entre duas pessoas e então cheguei a seguinte conclusão: A sintonia vem do relacionamento. Deus nos fez seres relacionais. Colocando, sobretudo o amor Ágape em ação nesse envolvimento. Trata-se de um amor que é dado sem esperar nada em troca, de uma relação de amigo para amigo. O espírito que habita em nós é único, pode estar em muitas pessoas, mas é único! O que facilita que, pessoas de propósitos parecidos falem uma mesma língua.
Deus nos criou para termos relações perfeitas com Ele. Assim foi desde a criação de Adão, ou seja, criou-nos para uma “Perfeita Sintonia” com o Pai, que por estabelecer tão íntima relação, seria mais que um criador, que um Pai, seria um Amigo, na mais perfeita expressão da palavra!
Quase todos sabem o final da história. Por ter um coração mau, por não ter a perfeita essência pura e santa de Deus, até hoje sofremos dificuldades nesse relacionamento, mas lutamos por estabelecê-lo em nossas vidas.
Trazendo para os dias de hoje, do Michaelis o significado da palavra diz:
Sintonia:
1 Estado de dois sistemas suscetíveis de emitir oscilações elétricas da mesma freqüência. 2 Eletr Estado ou condição de sintônico. 3 Igualdade de freqüência entre dois sistemas de vibrações. 4 Acordo mútuo, reciprocidade, simpatia. 5 V sintonização, acepção 1.
Costumamos ver muitas pessoas dizerem: “Como o casal X vive em sintonia”, ou “Encontrei alguém em perfeita sintonia comigo”! Arrastamos a ideia de Deus para nossas vidas, e vivemos em busca da perfeita sintonia, que, primeiro: só será possível através dEle, Segundo: é algo que depende exclusivamente da bilateralidade de dispensação dos envolvidos.
Uma conversa é perfeita quando as pessoas se doam com a mesma proporção um do outro!
Observe que quando há um recuo de qualquer das partes, naturalmente, parece que o que era perfeito deixou de ser simplesmente porque o outro não está mais sintonizado na mesma frequência, e a sintonia só ocorre quando ambos os lados estão na mesma linha de raciocínio.
Achei válido registrar minha descoberta, talvez já soubesse antes, mas agora formalizo em entendimento simples, com a seguinte conclusão: Se há ou não sintonia, ela é algo que acontece e permanece naturalmente, se o fio se parte, unilateralmente será impossível mantê-la. Não há inteligência, ou poder influenciador, ou qualquer outro ingrediente especial capaz de sustentá-la. Acha-la é raro, mas vale a pena esperar cada segundo, pois quando a encontramos, é como juntar polo negativo e positivo para fazer uma única luz brilhar!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ah esse Sol



E me vem esse sol nascente
Brilhando em vida
Curando feridas
Arrancando sorrisos

Rompendo barreiras
Derrubando muros
Cruzando obstáculos
Outrora intransponíveis
E vem esse sol
Invadindo
Ganhando espaço
Os raios adentrando
Iluminando
Os cantos mais profundos
Do meu coração
Esse sol
De nome e renome
Que em meu peito
Fixa cada letra
Marcando
Impregnando
Me deixa o dia inteiro
Soletrando o sol dentro de mim

sábado, 29 de setembro de 2012

Fração do tempo



Quando um rabisco
Vira traço,
Assim, contínuo, contíguo
Revela um coração de menino
E a arte
Traduz em parte

Parte do universo
De dois mundos
Diferentes
Complementares
Oriundo
Da necessidade do eu
A palavra ganha vida
Faz florida a esperança
Que mesmo quando vai fica
Fica a doce lembrança
De cada terno momento
De cada terna palavra
Que não se fez
Apenas por ser dita
Bendita vem
Em momento oportuno
e faz um mundo
Mais feliz

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Imensidão



As ruas já não me cabem
O céu é pequeno demais daqui
Quero sair dessa cidade
Quero fugir desse país
Na ânsia de buscar
O que me faz
Completa e feliz
A busca será em vão
Não cabe no céu
Na terra
E nem no mar
O ar é pouco
Para sustentar
E o vazio de agora
Ainda vai perdurar
Até que se fundam
Tempo
Espaço
Lugar
e o autor do universo
O possa consumar

Insanidade



E se assim
Enlouquecida ficar?
Na curva da vida
Passei sem pensar
Dei passos vazios
Em direção ao nada
Os vários arrepios
Da dura conclusão
Assombram meu ser
Esse ser que nem sei se sou
Se perdeu pela vida
E quando se achou
Descobriu que era só
Risco abstrato
Retrato falado
Figura Semântica
De algo que nunca
se revelou

Fuga




Eu só queria fugir
E nem sabia do que fugia
Numa incessante angústia
Num rompante de loucura
Peguei um carro sem direção
Para onde eu ia?
Como poderia saber
Estava naquele exato momento
Na contramão de mim mesma
Queria encontrar
Uma luz
Uma razão
Uma resposta
Capaz de me arrancar
As dúvidas
Que sufocam meu peito agora
para onde vou?
Não sei
Mas já não importa
Percorrer o caminho
É mais importante que a chegada