sábado, 29 de setembro de 2012

Fração do tempo



Quando um rabisco
Vira traço,
Assim, contínuo, contíguo
Revela um coração de menino
E a arte
Traduz em parte

Parte do universo
De dois mundos
Diferentes
Complementares
Oriundo
Da necessidade do eu
A palavra ganha vida
Faz florida a esperança
Que mesmo quando vai fica
Fica a doce lembrança
De cada terno momento
De cada terna palavra
Que não se fez
Apenas por ser dita
Bendita vem
Em momento oportuno
e faz um mundo
Mais feliz

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Imensidão



As ruas já não me cabem
O céu é pequeno demais daqui
Quero sair dessa cidade
Quero fugir desse país
Na ânsia de buscar
O que me faz
Completa e feliz
A busca será em vão
Não cabe no céu
Na terra
E nem no mar
O ar é pouco
Para sustentar
E o vazio de agora
Ainda vai perdurar
Até que se fundam
Tempo
Espaço
Lugar
e o autor do universo
O possa consumar

Insanidade



E se assim
Enlouquecida ficar?
Na curva da vida
Passei sem pensar
Dei passos vazios
Em direção ao nada
Os vários arrepios
Da dura conclusão
Assombram meu ser
Esse ser que nem sei se sou
Se perdeu pela vida
E quando se achou
Descobriu que era só
Risco abstrato
Retrato falado
Figura Semântica
De algo que nunca
se revelou

Fuga




Eu só queria fugir
E nem sabia do que fugia
Numa incessante angústia
Num rompante de loucura
Peguei um carro sem direção
Para onde eu ia?
Como poderia saber
Estava naquele exato momento
Na contramão de mim mesma
Queria encontrar
Uma luz
Uma razão
Uma resposta
Capaz de me arrancar
As dúvidas
Que sufocam meu peito agora
para onde vou?
Não sei
Mas já não importa
Percorrer o caminho
É mais importante que a chegada